A extraordinária civilização pré-colombiana denominada Maia,
desaparecida há 300 anos do continente americano, legou-nos maravilhas e
conhecimentos que são até hoje, objecto de investigação de
historiadores do mundo inteiro.

A civilização dos Maias desenvolveu-se lentamente ao longo do primeiro
milênio a.C., e alcançou o seu auge no século III d.C.. O território dos
Maias abraçava quase toda a Guatemala, o ocidente de Honduras, Belice, e
os actuais estados de Yucatán, Quintana Roo, Campeche, parte de Chiapas
e Tabasco, no México.
Foto: pessoal
Durante dois mil anos, os maias conseguiram desenvolver uma sofisticada
cultura num meio ambiente extremamente adverso, como a selva tropical
das Terras Baixas. Eles ocuparam um território caracterizado por uma
diversidade ecológica enorme bastante exigente. As populações das
planícies do norte, cujo subsolo está cortado por rios subterrâneos,
dependiam da emersão de lagos naturais, e de acumulação em cisternas,
chamadas de chultunes.
Foto: Pessoal
Por volta do século XIII, a sociedade maia entrou em colapso. Ainda
hoje, não existe uma explicação que consiga responder a essa última
questão envolvendo a trajetória dos maias. Recentemente, um grupo de
pesquisadores norte-americanos passou a trabalhar com a hipótese de que a
crise desta civilização esteja relacionada à ocorrência de uma violenta
seca que teria se estendido por mais de dois séculos. Sem centralização
estatal que unificasse as cidades, os maias desenvolveram uma cultura
extremamente homogénea no tempo e espaço.

Foto: Net ( desconheço autoria)
Organização e Sociedade
Nunca chegaram a formar um império unificado, facto que favoreceu a
invasão e domínio de outros povos vizinhos. As cidades formavam o núcleo
de decisões e práticas políticas e religiosas da civilização e eram
governadas por um estado teocrático.O império maia era considerado um
representante dos deuses no Planeta Terra. A zona urbana era habitada
apenas pelos nobres (família real), sacerdotes (responsáveis pelos
cultos e conhecimentos), chefes militares e administradores do império
(cobradores de impostos). Os camponeses, que formavam a base da
sociedade, artesão e trabalhadores urbanos faziam parte das camadas
menos privilegiadas e tinham que pagar altos impostos.

Economia e Agricultura
O esplendor da sociedade maia é
fundamentalmente explicado pelo controle e as disciplinas empregadas no
desenvolvimento da agricultura. Entre os vários alimentos que integravam
a dieta alimentar dos maias, podemos destacar o milho, produto de
grande consumo, o cacau, o algodão e o agave. Para ampliar a vida útil
de seus terrenos, os maias costumavam organizar um sistema de rotação de
culturas. A economia era baseada na agricultura e praticavam o comércio
de mercadorias com povos vizinhos e no interior do império.

A arte maia tinha suma importância na
preservação das tradições religiosas, ao mesmo tempo em que contava e
reproduzia as feições de suas principais divindades. Expressava-se,
sobretudo, na arquitectura e na escultura. As suas monumentais
construções — como a torre de Palenque, o observatório astronómico de El
Caracol ou os palácios e pirâmides de Chichén Itzá, Palenque, Copán e
Quiriguá — eram adornadas com elegantes esculturas, estuques e relevos.
Podemos contemplar as suas pintura nos grandes murais coloridos dos
palácios. Utilizavam várias cores. As cenas tinham motivos religiosos ou
históricos. Destacam-se os frescos de Bonampak e Chichén Itzá. Os
murais e as esculturas relatavam a grandeza das dinastias que
controlavam uma determinada cidade-Estado. Sendo indicada como uma
família abençoada pelos deuses, as expressões artísticas maias eram
importantes na legitimação do poder político.

Foto: Net ( desconheço autoria)
Os maias trabalhavam com pedras, matérias em madeira e cerâmica para
construírem estátuas e figuras em baixo relevo que adornavam os templos e
demais construções urbanas. Na cidade de Bonampak encontram-se várias
construções e pinturas da civilização maia. No chamado Templo das
Pinturas existem câmaras que relatam a história política, cultural e
militar dos povos que se fixaram naquela região. Em outras regiões
encontramos ainda o importante legado deixado pela arquitectura maia.

Utilizavam uma escrita hieroglífica que
ainda não foi totalmente decifrada. Somente com o auxílio de
computadores é que, recentemente, cerca da metade dos caracteres foram
traduzidos. Toda esta dificuldade é proveniente da falta de um padrão
simplificado onde um glifo representa um único som ou letra. A escrita
dos maias adopta o uso de um mesmo caractere para representar dois ou
mais símbolos e sons. Ao mesmo tempo, um mesmo conceito poderia ser
representado por caracteres completamente diferentes.

Além de constituir uma forma de comunicação entre os maias, a escrita
também tinha uma vinculação religiosa. Os maias acreditavam que a
escrita era um presente dos deuses e, por isso, deveria ser ensinada a
uma parcela privilegiada da população. De maneira geral, utilizavam
diferentes materiais para o registro de alguma informação. Pedras,
madeira, papel e cerâmica eram os materiais mais recorrentes. Além
disso, os maias também fabricavam livros e códices confeccionados a
partir de fibra vegetal, resina e cal.
Arquitetura
A arquitetura deste povo esteve sempre muito ligada à reafirmação de
seus ideais religiosos. Várias colunas, arcos e templos eram erguidos em
homenagem ao grande panteão de divindades celebrado pela cultura maia. A
face politeísta das crenças maias ainda era pautada pela crença na vida
após a morte e na realização de sacrifícios humanos regularmente
executados.
Cidades
As cidades da civilização maia contavam com
avenidas, calçadas, templos e palácios, configurando a grande
engenhosidade de suas construções. Em Chichén Itzá e Tikal podem ser
encontrados poços, pirâmides e palácios que demonstram a grande riqueza
do traçado arquitetónico maia. Espalhadas por toda Meso-América, as
cidades astecas são grande fonte de conhecimento da cultura e da
história maia.
Foto: pessoal
As cidades templo
As pirâmides-montanha de Tikal e Palenque
Nas florestas tropicais ao sul da península
de Yucatán, o antigo povo maia construiu um enorme centro cerimonial
conhecido como Tikal. Uma das maiores e mais importantes cidades maias.

Foto: Net
Muito vinculados a Teotihuacán, os monarcas de Tikal foram grandes
guerreiros. Eles enfrentaram outras cidades como Uaxactun, Caracol e
Calakmul. A influência de Teotihuacan é observada na arquitectura.
Provávelmente, Tikal foi a cidade maia mais povoada. Tem os templos mais
altos e mais numerosos. Os arqueólogos contabilizaram mais de 3.000
construções. A Praça da Grande Pirâmide concentrava os eventos. Entre os
destaques estão o Templo do Grande
Jaguar, o Templo do Grande Sacerdote e o Templo da Serpente Bicéfala, a
construção mais alta que oferece uma vista imponente do conjunto Tikal.

Foto: wikipedia_Bjørn Christian Tørrissen
Palenque controlava o rio Usumacinta, e o
sul de Yucatán. Dentro do complexo destaca-se o Templo das Inscrições,
assim chamado devido aos 617 hieróglifos gravados no interior. Lá estão
os restos de K’inich Janaab Pakal, rei em cuja memória o templo foi
erguido. As pirâmides-montanha de Tikal e Palenque representavam o
universo e serviam como meio de comunicação com o Além. Elas exaltavam o
poder dos governantes. Os santuários ficavam no nível superior e
representavam a criação do mundo, a união do subterrâneo com a
superfície da terra e do céu.
No nível inferior, as carrancas do “Monstro da Terra” marcavam a entrada do inframundo. Os labirintos no interior das grutas naturais e nos subterrâneos de Palenque mostravam o caminho para descer ao inferno. O rei passava por este ritual antes de ser glorificado. Procurava no subsolo o segredo para assegurar a ordem cósmica, e lutar contra o caos.
As crenças religiosas
No nível inferior, as carrancas do “Monstro da Terra” marcavam a entrada do inframundo. Os labirintos no interior das grutas naturais e nos subterrâneos de Palenque mostravam o caminho para descer ao inferno. O rei passava por este ritual antes de ser glorificado. Procurava no subsolo o segredo para assegurar a ordem cósmica, e lutar contra o caos.
As crenças religiosas
A religião deste povo era politeísta, pois
acreditavam em vários deuses ligados à natureza. Os murais pintados
surpreendem pelo realismo e pela capacidade para transmitir sentimentos.
É o caso dos vasos de Bonampak, elaborados entre 600 e 800 a.C. na
região mexicana de Chiapas. Eles mostram as cerimônias e os momentos que
antecediam as batalhas, o seu desenvolvimento, e o sacrifício final dos
prisioneiros.
O jade era um material ritual e mágico mais valorizado do que o ouro. Era a jóia favorita. Os reis maias utilizavam-na como dentes postiços. Uma vez enterrados, as máscaras fúnebres cobriam o seu rosto, e depositavam na sua boca contas de jade e milho para saciar a fome no País dos Mortos.
O jade era um material ritual e mágico mais valorizado do que o ouro. Era a jóia favorita. Os reis maias utilizavam-na como dentes postiços. Uma vez enterrados, as máscaras fúnebres cobriam o seu rosto, e depositavam na sua boca contas de jade e milho para saciar a fome no País dos Mortos.

O Calendário Maia
Os avançados conhecimentos que os maias possuíam sobre astronomia, como
eclipses solares e movimentos dos planetas, e sobre matemática,
permitiram-lhe criar um calendário cíclico de notável precisão. Na
realidade são dois calendários sobrepostos: o tzolkin, de 260 dias, e o haab de
365 dias. O haab era dividido em dezoito meses de vinte dias, mais
cinco dias livres. Para datar os acontecimentos utilizavam a "conta
curta", de 256 anos, ou então a "conta longa", que principiava no início
da era maia. Eles determinaram com exatidão incrível o ano lunar, a
trajetória de Vênus e o ano solar (365 dias, 5 horas, 48 minutos e 45
segundos). Graças à exactidão do calendário, os maias eram capazes de
organizar as suas actividades quotidianas e registar simultaneamente a
passagem do tempo, historiando os acontecimentos políticos e religiosos
que consideravam cruciais.

Os maias compreendiam o tempo não como uma medida linear - passado,
presente e futuro - mas formado por ciclos que se repetem e constituem o
"eterno tempo presente", da mesma forma que afirmava Pitágoras, de
Samos, no século V ac.
O Calendário Maia previa o final do ciclo actual no ano de 2012, quando
tudo se extinguiria para o início de uma nova era. O povo Maia concebia a
Terra como um ser vivo orgânico, antecipando o pensamentos dos
ecologistas de nosso século e entendiam o tempo da mesma forma que o
conceito de noosfera de Teilhard de Chardin e o Num dos egípcios, oceano
cósmico de onde tudo flui e de onde plasmam todas as formas vivas.
A sua vasta cultura é muito similar a do antigo Egipto, não só pela
precisão matemática de seus monumentos (templos e pirâmides), mas pela
maneira como interpretavam o sentido da vida.
Fontes e Fotos: "historiadomundo”, Suapesquisa; Wikipédia; enciclopédia Larousse; fotos pessoais; outros net.
"Se queres prever o futuro, estuda o passado." (Confúcio)
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